Bandido bom é bandido que sabe quanto vale

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“Bandido bom é bandido morto.” Paulo proferiu o aclamado bordão dos defensores dos cidadãos de bem e da segurança pública (por pública entende-se a segurança dele). Paulo está no segundo período de um dos cursos que sempre sonhou em fazer, eram vários, claro! Estudou em uma das melhores escolas privadas da cidade, paga com o trabalho árduo dos pais. Em seu quarto, abre o facebook e compartilha o link com o assaltante baleado por um policial ao tentar roubar uma moto e reafirma, agora por escrito e em caixa alta “BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!” e em seguida parabeniza o policial pela ação heroica. Paulo guarda um enorme apreço pela farda e pela arma. O que seria de nós sem eles? Uma pena o policial não ter matado o assaltante, bandido bom é bandido morto! Quem ficou com peninha que leve um bandido pra casa. Ele violou a propriedade privada, deveria ter morrido sim! A vida dele não vale aquela moto. E acrescentou:

“A vida do bandido não vale um real”

A violação de direitos não o incomoda tanto assim. Paulo não liga muito para as vidas violadas do outro lado do mundo, ali mesmo na favela que ele vê da sua janela do décimo primeiro andar.

Naquela favela cresceu e vive Pedro. Pedro Júnior, o pai também é Pedro. Pedro pedreiro penseiro esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem. E como aumento algum veio, Pedro filho precisa continuar estudando naquela escola onde faltam cadeiras e a professora de Português ensina também História e Geografia e onde não se vê um professor de Matemática há meses. Mas tudo bem, ele sabe, tem que se virar com o pior. Aprendeu desde cedo, vendo o mundo funcionar, que por ser pobre tinha que se contentar com menos. Menos educação, menos saúde, menos conforto, menos espaço, menos respeito. Menos humanidade. É o seu valor. É a parte que lhe cabe. Pedro, além de nascer pobre, nasceu preto. E aprendeu rápido que pobre e preto no Brasil, aí é que valia menos ainda. Pobre, preto e favelado, aprendeu que por o ser já podia ser tratado como bandido, e se era bandido a polícia podia matar. Foi assim com o irmão mais velho, foi assim com dois colegas, foi assim com tantos pais em tantas favelas. É assim.

Pedro cresceu vendo o homem fardado com direito de abusar do poder e da bala, cresceu vendo crime organizado e cresceu vendo o tráfico. E à medida que crescia, sempre que saía da favela via a vida que não lhe cabia e tinha raiva. O pai trabalhava tanto, a mãe também, ele também. E nada daquilo era deles? Nem um pedacinho? Não era, nenhum deles, nem todos juntos valiam uma mísera fração daquilo.

Certa noite a polícia levou o Pedro pai, o Pedro pedreiro penseiro. Pedro filho nunca soube porque e nem para onde.  Dinheiro na casa de Pedro esvaia e a raiva do Pedro expandia e ocupava os três cômodos. Ele começou a fazer o que muitos outros já faziam. Dois amigos já haviam entrado para o crime organizado. Roubavam, vendiam drogas. Muitos outros amigos de Pedro, iguais a ele, preferiram não entrar. Pedro escolheu seguir os dois primeiros. De começo foram pequenos furtos, até então uma carteira e dois telefones celulares. Talvez com a prática passasse a conseguir um pouco mais.

Dessa vez foi uma mochila, dentro dela um notebook. Dois policiais chegaram em uma viatura, Pedro correu e quando Paulo viu no sofá da sala no décimo primeiro andar a notícia de mais um assaltante baleado pela polícia, e dessa vez morto, sorriu e esbravejou orgulhoso “É isso! Bandido bom é bandido morto! É isso que vai acabar com a violência nesse país, matar esses vagabundos”. Matar esses vagabundos, esses outros. O amigo que revendia na faculdade a droga comprada do amigo de Pedro, o tio que sonegava impostos, e ele próprio quando dirigiu bêbado e quase matou uma pessoa atropelada, esses eram outra categoria de infratores. Bandido era o pobre, era o vagabundo. E vagabundo tinha mais é que morrer mesmo.

O primeiro tiro foi na perna. O segundo nas costas, por trás do peito. Pedro levou uma mochila e levou dois tiros, morreu. Justo, dirá Paulo, é isso que bandido vale. Antes de morrer, antes do disparo, antes da mochila, antes de sair de casa;  Antes mesmo de crescer, Pedro já sabia quanto valia sua vida, quanto valia seu futuro. Pedro aprendeu muito bem e muito cedo o seu valor.

Não valia um real.

 É muito triste – e muito chato – ainda ter que bater nessa mesma tecla. É muito triste que tanta gente ainda se recuse a reconhecer que assaltos como a da tentativa de roubo da moto que terminou com o assaltante baleado não são ações individuais isoladas. Gente que se recusa a entender que é um problema sistemático, que se recusa a enxergar as condições e os absurdos que fazem com que essa cena se repita. A questão da segurança pública não pode ser analisada nem da perspectiva da vítima, nem do assaltante. Essa análise pede um distanciamento, pede a compreensão do que ocasiona a realidade que vemos hoje. Não cabe a mim julgar se a atitude do policial foi a melhor possível, eu não entendo nada disso. To falando de quem comemora morte de assaltante. To falando de quem fala de “extermínio de bandido” como solução pra violência.

Se você pensa como o Paulo, fique sabendo que a vida do assaltante vale tanto quanto a minha e a sua. Sua vida vale tanto quanto a do Pedro. E tenha pelo menos a decência de admitir que assaltante levando tiro não resolve em NADA o problema da violência. Apenas satisfaz o tesão da sua cabecinha punitivista, te faz rir porque acaricia seu sadismo conservador. É engraçado pra você ver aquele que você considera menos gente se foder. Pouco te importa o que vai melhorar a segurança pública, a segurança de todos. Você só quer que ele se foda. Você é um merda.

(Nota aos leitores)

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About Ana

Ana, 21 anos, responde por anoca. Desertora da faculdade de Letras, foi parar no curso de Comunicação Social. Temendo ficar mal falada por postar textos longos e reclamar demais do facebook, decidiu fazer um blog.
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360 Responses to Bandido bom é bandido que sabe quanto vale

  1. Insana says:

    Ana, em um dos cometários pediram para que você acordasse, acorda não!!! Eu vivo o mesmo sonho que você, desejo que todos tenham os mesmos direito (e as mesmas punições previstas no código penal). Justiça não é vingança. Infelizmente as pessoas estão muito conformistas, desacreditas. Então, fica para nós os inconformados, loucos e sonhadores mudar o mundo. O nosso legado é muito maior.

    • Ana says:

      hahahahah obrigada pelo comentário (: e sim, é importante a gente manter essa mentalidade e fugir da acomodação. Você disse bem justiça não e vingança, tomara que percebam logo isso
      abraços!

  2. Igor says:

    Muito interessante a discussão, fico feliz pelo seu posicionamento no texto Ana. Acredito que é preciso ter Direitos Humanos também e mesmo percebendo que existem brechas que não permitam que esses direitos sejam mantidos. Ainda sim acredito que é de extrema importância sua existência mesmo que a maioria ignore.
    Concordo que o contexto social em que uma pessoa vive é de extrema importância na sua formação e isto irá refletir na resposta dela para o mundo. Acredito que não é tudo, mas é importante, ninguém está isolado da realidade em que foi criado.
    Eu acabo de voltar da China, morei um 1 ano na India e 1 ano na China. E fazendo um paralelo entre os três países o que eu percebo é que a violência faz parte da rotina do brasileiro. Pegando as respostas acima como exemplo é fácil de perceber como essa agressividade está tão comum no Brasil. Vejo a Ana, defendendo seu ponto de vista, debatendo idéias e levantando questões, outros, defendendo suas idéias, se opondo de maneira respeitosa e alguns direcionando sua oposição diretamente a Ana com muita violência e brutalidade. A agressão é gratuita e pra mim esse é o princípio que estamos levando as ruas. Muito difícil ver isso acontecendo tanto na China quanto na Índia esse tipo de reação não é considerado comum como para nós brasileiros. Comentários como o do Paulo Rosa seria visto pelos outros como algo extremamente agressivo e chocante. Para nós é normal, falamos assim com nossos pais, avós e etc…
    Percebo o brasileiro cada vez mais agressivo em todos os lugares. E isso também acontece por incrível que pareça por conta dos direitos humanos. Em países como a China onde não existem direitos humanos, as pessoas não podem se dar ao luxo de falar assim com alguem em público, porque lá não a nada que as protejam. Se um funcionário cai de um prédio em serviço e morre, na China, ele é demitido antes de seu corpo tocar o chão. Sério, e por aí vai… Se alguem cai de moto, ninguém pára com medo de ser responsabilizado. Lá, pessoas que roubaram ou mataram são julgadas muito rápido e mortas. Mas o medo é a base do sistema, todos temem o Estado. Nada pode ser maior que o Estado. E o Estado é um vilão gigante. Na India os direitos humanos não existem na prática e mesmo com aquela população gigantesca a violência ainda consegue ser menor que no Brasil. O brasileiro é mais esquentado e é mais violento. Mas enfim, tenho muita coisa pra falar, mas tenho que parar… Não penso que o rapaz deva ser executado porque assaltou alguém, mas concordo que ele está infringindo também os direitos humanos. O policial, no calor da situação não poderia pedir “licença” para abordar o assaltante mas, não sei não, pra mim herói ele também não é. Me parece que as pessoas acabariam linchando ele se tivessem oportunidade (olá idade média!)… Nem preciso ir tão longe. Os direitos humanos não muda o carater de ninguém mas ainda bem que existe, é um norte de conduta que nos impedem de nos tornarmos barbarie e assim nos protejer de nós mesmos.

    Abraço a todos

  3. Tesla says:

    Bom dia,Ana.Entendi o propósito do seu texto,porém com muitos argumentos,você utilizou de falácias.Falácia do apelo à misericórdia.Ao tentar expor seu pensamento com muito subjetivismo,mesmo que contando uma história em terceira pessoa,o tendenciamento apelativo para guiar o texto foi evidente.Você,socialmente falando,não é muito diferente de Paulo,logo,não é o fator social de Paulo que faz dele um “merda”,e sim sua mentalidade.Portanto,colocar um pouco em destaque a classe social foi desnecessário,uma vez que isso nao é motivo decisivo para um preconceito.
    Outro quesito importante de frisar é:Pedro também é um babaca.Desejar a morte de Pedro,por ser bandido,é errado como desejar a morte para qualquer um,mas porque a defesa unilateral sua?Como no acontecimento da hornet roubada,o bandido poderia ter matado o motoqueiro que andava tranquilo e foi pego de surpresa.E ai?como ficaria?Um civil de classe média morrer por bandidos é fatalidade,mas é normal,acontece.O que não pode é um menor assaltante,que por ser menos favorecido,ser morto.Pra você,é assim que funciona?Direitos humanos só existe nessa hora?
    Para concluir,quero deixar claro que ao meu ver,cada situação tem de ser analisada friamente.Como no caso do motoqueiro,que pode ter falado aquelas bobagens pelo fato de estar assustado,e ter sido salvo pelo policial,tudo em uma pequena fração de tempo.Espero que você me responda,qualquer dúvida sobre o que escrevi,me pergunte.Não expus tudo de uma vez,para não ficar um texto cansativo.Do mais,não se esqueça que esse texto que vc escreveu tem suas verdades,mas um dos principais pontos fracos é que vc associou classe social com opiniao,e é uma classe proxima ou semelhante à sua,a final,você não escreveu esse texto na cracolândia enquanto degustava uma pedra que foi fruto de um assalto,certo?
    Tenha um bom dia,e não olhe com maus olhos o que escrevi,discussão não tem vencedor ou perdedor,tem quem ensina e quem aprende,ou seja,só vencedor.Espero que entenda o meu lado,e não encare que quero te afrontar,apenas expor minha visão,e explicar por ALGUNS pontos do seu texto estão fracos.

    • Ana says:

      Ei, Tesla! De forma alguma percebi seu comentário como uma afronta, até porque você expôs sua crítica com muita educação (:
      Bom, como você disse a crítica é à mentalidade do Paulo, não à sua classe social, tem muita gente nas mesmas condições e com uma mentalidade completamente diferente, eu mesma, como você colocou, tenho um raciocino praticamente oposto ao dele. Mas escolhi inserir o Paulo nesse contexto e vou explicar por que.
      1- Vejo muita gente nas condições do Paulo reproduzindo essa concepção, muita gente mesmo. Como é um meio social com o qual eu tenho contato maior, seja pelo bairro onde eu moro, por onde estudei ou pela origem da maioria dos meus amigos no facebook, pessoas como o Paulo com esse tipo de fala acabam por me chamar mais atenção. Mas não é esse o motivo mais importante , vamos a ele:
      2- Quando construí a narrativa, procurei destacar a questão da desigualdade social. Com a descrição de uma realidade como a do Paulo seguida pela descrição uma realidade contrastante que é a do Pedro, coloca-se no texto uma comparação meio “implícita”. O leitor é simultaneamente confrontado com duas realidades conflitantes e, dessa maneira evidencia-se a questão da desigualdade, cuja percepção pra mim é essencial a uma análise mais ampla. Foi uma estratégia de atrelar ao desenrolar da narrativa, uma crítica social.
      Por mais que destacar a condição social do Paulo não fosse essencial a uma análise técnica, foi necessário na construção literária, foi um elemento chave para a qualidade crítica da narrativa.
      Bom, a respeito do apelo à misericórdia, não foi essa a intenção. Não quis que o foco fosse “ter pena do Pedro” mas sim apontar que existe ali na realidade do Pedro uma série de fatores contribuem para o ingresso no crime. Mas também inseri na trama elementos que demonstram que sim, trata-se também de uma escolha do Pedro (fiz isso mais para não cair no senso comum de que pobreza implica crime do que pra “diminuir” o Pedro, visto que não é essa a intenção do texto). Esses elementos são os amigos do Pedro que eram iguais a ele mas não foram por esse caminho, e o próprio pai do Pedro.
      Sim, desejar a morte do Pedro é tão errado quanto desejar a morte de qualquer um, por isso estabeleci uma equivalência de direito à vida do Pedro e daquele que se diz “cidadão de bem”. Não se trata, portanto, de uma defesa unilateral. Divido o texto em dois focos: primeiro um foco dentro da narrativa, que é o Pedro. Não é o Paulo, não é um policial, não é um amigo do Pedro que não entrou no crime. O segundo foco, diria o “macrofoco”, é a crítica à mentalidade do “bandido bom é bandido morto” e o fato de essa mentalidade desconsiderar que a violência se deve a muito mais do que uma decisão individual, há fatores sociais que não podem ser ignorados. Não quero falar simplesmente de como esses fatores atingem aquele menino, o Pedro, quero falar de como eles se articulam para que o crime seja uma escolha, etc. Como eu disse, ninguém pode ser morto, inclusive a vítima, é claro. Mas a mentalidade que eu critico não diz que “hahahah a vítima tem que se ferrar”, diz? Ta aí o ponto.
      Espero ter respondido bem suas colocações
      Abraços

  4. Campione says:

    Texto romântico, mas muito longe da realidade. Nem todo mundo é bandido, nem todo mundo é playboy, nem todo mundo bebe, nem dirige e mata alguém, nem todo mundo compra droga e nem todo bandido que escolheu esse caminho foi pela pura necessidade. Nem todo rico está longe da violência, nem todo pobre está a beira do assalto. Temos nesse quadro que aconteceu dois bandidos (com passagem – isso é, julgado e condenado – mas sairam e continuaram a festa), o policial (que ganha uma miséria e põe a vida em risco, inclusive de perder o emprego – pela visão dos direitos humanos) e o mais importante, que talvez ninguém percebeu: A VÍTIMA – Mais pobre que rico. Classe média, talvez classe média baixa. Comprou um moto (se bobear financiou para todas as gerações da sua posteridade) e quase levou um balaço na cabeça. Meu entendimento: sim, bandido tem que ser morto. Cada um livre para pensar o que quiser, mas vamos ser mais reais com as análises quase românticas. Chega a ser uma boa tese de defesa, achar que um bandido só é bandido porque foi expurgado da sociedade. att

  5. Paula says:

    Realmente… É muito fácil pensar assim, quando nunca foi assaltada, nunca passou o terror, nunca te bateram, ameaçaram, levaram tudo o que tinha, nunca te agrediram, nunca teve a sua vida passar pelos seus olhos na mira de uma arma. Experimente. Depois me conta se escreveria este texto novamente.

    • Ana says:

      Ok, vamos supor que hoje eu saia de casa e coloquem uma arma da minha cabeça e levem todos os meu pertences. Vamos supor que depois dessas experiência traumática eu deseje que o cara morra, natural. Vamos supor que a partir de hoje até o resto dos meus dias eu passe a defender que todo assaltante tem que tomar tiro na testa, que todos tem que ser exterminados; que eu passe a esbravejar que bandido bom é bandido morto. Isso mudaria o fato de que eu diria isso partindo da perspectiva punitivista e vingativa? Mudaria o fato de que assaltante morrer não resolve em nada o problema da violência? Mudaria o fato de que tudo o que eu realmente estaria desejando é ver esse pessoal se fodendo? Tudo o que ia mudar é como EU vejo isso, os fatos continuariam os mesmos
      Abraços

  6. EDVAN says:

    Ana acorda, Ana acorda…, o nosso país está afundando, e pode ter certesa que não é por causa de problemas sociais, é sim por causa de sonhadores, defensores de pessoas incorrigiveis, verdadeiros lixos sociais, que existêm somente para degradar a sua própria existência, preguiçosos, metidos, mentirosos, inventam mil desculpas para não trabalhar, não ter vida digna, somente e somente a culpa é dos outros, a culpa é do governo, a culpa é do playboy, a culpa é do que tem mais que eu, a culpa, a culpa, a culpa…, sou coitado, nasci pobre, ele nasceu rico então minha vida não presta. Ana acorda, Ana acorda…, Gostei da Ana, Ana muito inteligente, acredito ser formada e capacitada intelectualmente para escrever tal texto, parabéns Drª Ana, você está coerente em seus argumentos, sinseramente refleti muito e gostei. Porém repito com o maior carinho, Ana por favor “acorda”.
    obs. Por um País, com um novo código penal, que puna realmente os mals e proteja os bons, e não o inverso, que é, o que realmente está acontecendo.

    Sim… Parabéns a Polícia, verdadeiros guerreiros e defensores da “verdadeira sociedade”.

    • Ana says:

      É, Edvan, vamos discordar um bocado. O que você aponta pelo país supostamente estar afundando (eu percebo várias melhoras nos últimos anos, ainda que falte muito pra ser perfeito), é tão…. sei lá, quase inconcebível, e com uma dose de preconceito. Faço minha a sua sugestão: acorda, cara. É muito mais que isso daí.
      Agradeço os elogios.
      Quanto à polícia guerreira e defensora da sociedade… bom, deixa que a polícia fale por ela mesma:

      abraços

  7. Ana,

    Em primeiro plano, lhe parabenizo pelo texto e por sua visão humanística. Independentemente do conteúdo das idéias, pessoas que possuem coragem de expor opiniões de forma tão bem elaborada sempre merecem apreço.

    Em segundo lugar, compartilho de suas concepções, principalmente no que tange à respeito do ponto de vista das pessoas beneficiadas pelo sistema que tendem a imputar aos “vagabundos” (que sempre são pobres, e quase sempre, negros) a razão de sua miséria, como se ser miserável fosse simples opção, mero desleixo pessoal. Como diz o Emicida “é facil orgulhar-se de uma honestidade que nunca foi posta a prova”. Como você, sou do time que ainda se espanta de ter que explicar e defender o óbvio….

    Finalizando o “pódium” de considerações, gostaria de divulgar o site http://www.criticaereflexão.webnode.com site que desenvolvi com alguns amigos estudantes de direito e que visa analisar a realidade sob uma perspectiva filosófica, evitando concepções pré-programadas….temos alguns vídeos e textos que podem te agradar.

    Novamente te parabenizo e coloco-me à disposição para qualquer bate-papo. É sempre bom ver que não nadamos contra a maré midiática sozinhos….

    Boa sorte sempre!

    • Ana says:

      Ei Leonardo, primeiramente, muito obrigada! (:
      Gostei bastante do que você falou, e devolvo: É sempre bom ver que não nadamos contra a maré midiática sozinho.
      Essa frase do Emicida é sensacional, acho que resume bem um dos pontos que mais procurei criticar aqui.
      Só uma coisinha: o link pro seu site não abriu, você pode enviar de novo?
      Abraços!

  8. Vicente says:

    Ana, se me permite, gostaria de deixar minha opinião. Pelo texto, a impressão que tenho é que você tem apenas a base teórica sobre o tema. Escrever baseado em filmes, novelas, conversas etc, não fornece a profundidade complexa que o assunto merece. Certamente, do ponto de vista lúdico e ideológico, falta educação, saúde, professores para os cidadãos de baixa renda, o que em seu texto “justifica” a ação criminosa. Ana, falo algo com coonehcimento de causa:
    – Quem tem tendência criminosa, será criminoso, independente da falta de tudo isso acima. No caso do MARGINAL que efetuou o roubo da motocicleta, ele cometeu o ato não porque faltou os ítens acima em sua educação e/ou vida, ele o fez porque é MARGINAL e não tem o mínimo interesse em trabalhar, estudar e conquistar seus bens. É mais fácil pegar de alguém e faturar em cima. Simples assim. Digo tudo isso com muita, mas muita base de conhecimento, pois meu pai sempre foi um trabalhador honesto que cuidou de toda uma família com um emprego simples e que me ensinou que existem dois lados pra vida. Um é o que eu e a maioria das pessoas de bem escolhem, que é o de trabalhar e evoluir. O outro, é aquele que o MARGINAL do caso da moto escolheu, que é ROUBAR dos trouxas que escolheram a outra opção. Seu texto não está errado, pois precisamos mudar sim o país com melhor educação, melhor política etc, maso que está errado nisso tudo é a sua visão sobre a MARGINALIDADE.
    Se não levar a mal o que escrevi, estarei a disposição para debater mais sobre o assunto.
    Obrigado pela oportunidade.
    Vicente

    • Ana says:

      Não colocaria nem que, “justifica”, Vicente, eu diria que explica a ocorrência.
      Você diz que tem conhecimento de causa, então imagino que tenha acesso a algumas informações que eu ainda ignoro, por isso peço desculpas se algo do que eu disser aqui for facilmente refutado por um fator que desconheço.
      Ao que me parece, por mais que possa existir essa tendência, a circunstância do espaço social em que o indivíduo se insere –tanto o “micro-espaço” quanto o “macro”, por assim dizer – faz diferença sim. E não penso que a tendência ocorra em todos os casos. Achei estranho você empregar “marginal” na classificação, porque se tratando de uma suposta pré-disposição, acho muito difícil ser esse o nome utilizado. Aliás, quero chamar atenção pra esse termo que você destacou tantas vezes como sinônimo de gente com tendência a ser criminoso. Marginal é aquilo que está à margem, certo? O que está à margem, o excluído, o desfavorecido. É por aí que caminha a semântica do termo, e a ressignificação tão consolidada que o torna sinônimo de “bandido” é algo a ser pensado, acredito eu.
      Tem tanta história bonita de gente honesta, trabalhadora, que ralou muito pra conseguir melhorar de vida, tem mesmo. E eu não nego mesmo que haja escolha, inclusive eu coloco isso no texto. Vários amigos do Pedro não foram pra esse lado, o próprio pai do Pedro não foi. Acho que o que tá passando direto por muitos leitores é a reflexão: por que existe a escolha para o crime, por que ela ocorre? Quais os fatores que contribuem para isso? Sei lá, acho que parar no julgamento de valor, do certo x errado não desenvolve muito esse lado da questão, o que, a meu ver, é imprescindível.

  9. André says:

    Oi Ana, como estamos na internet, e na internet todos tem uma opinião, vou deixar a minha.
    Assim como você expõe o lado Paulo/ Pedro em seu texto, e depois generaliza as pessoas que pensam “bandido bom é bandido morto” como merda, acredito que exitam experiências que colocam essa linha de raciocínio na cabeça das pessoas. Perder entes queridos em algum crime, os crimes bárbaros que ocorrem todos os dias, corrupção e etc. Isso gera revolta, ódio, vingança, sentimentos presentes na essência de qualquer ser humano e justificáveis, sei que a morte de um bandido não melhora em nada a segurança pública, sei que não é forma mais saudável de se pensar, mas ainda assim sigo essa linha. Sou um merda? Não, sou humano, tenho vaidades, ódios e amores, como todos os outros.

    • Ana says:

      Ei, André. O que você disse tem fundamento sim, essa mentalidade pode ser resultado de experiência traumática e como eu já ponderei por aqui algumas vezes, não é o que eu busco criticar, visto que sentir raiva/ódio de quem ocasionou algum trauma é natural, mas tive vários relatos aqui de gente que já passou por assaltos (eu inclusive) ou situações mais pesadas, e que não pensa dessa maneira. Acho que o que pesa muito nessa fala é a construção social que a envolve, é um pensamento predominante em boa parte da sociedade, uma concepção coletiva, e a reprodução dessa ideia só faz perpetuá-la. Por isso eu faço a crítica, acho importante que esse raciocínio seja repensado coletivamente
      Outra coisa que falei por aqui nos comentários é que esse é um texto de cunho catártico. Eu escolhi me expressar com palavras mais fortes, e vi nisso uma boa ferramenta de provocação, as várias reações inflamadas por aqui mostram que de certa forma, funcionou. Se o texto, inclusive a parte do “merda” conseguiu causar desconforto, o que pode estimular debate e reflexão, acho que cumpri pelo menos em parte meu objetivo.
      Minha intenção não foi, de forma alguma, ofender direta e pessoalmente um leitor, quis atacar a mentalidade, quis colocá-la em xeque. Mas tenho plena consciência de que a partir do momento que reproduzi minha opinião, que optei por determinada linguagem e determinada abordagem e que levei texto a público, ele está sujeito a várias interpretações. Parafraseando uma fala que a gente ouve bastante na faculdade de letras, o texto não pertence ao autor, pertence também ao leitor. (claro, isso não muda o fato de que tem várias interpretações MUITO deturpadas por aqui, discordando de mim com afinco em pontos que eu ao menos tangenciei, mas acontece)
      Abraços!

  10. Mirian says:

    Fico pensando: Uma pessoa colocar a imagem de um ladrão munido de uma arma, assaltar um cidadão de maneira violenta e ser atingido por um policial com 2 tiros e fazer um discurso sobre “justiça social”. Está defendendo quem? A sociedade? Não vc está defendendo o ladrão, ou será tão inocente que não percebeu isso?

    Eu nasci num bairro pobre da periferia, estudei em escola estadual, vi vários colegas se tornando bandido, mas não fiz essa escolha, não esperimente aqueles negócios que eles usavam para dar barato, não bebi, não passei de uma jovem chata e careta. Nunca usei roupa de marca, nunca fui para Disney, precisei custear sozinha minha faculdade, e optei por trabalhar e lutar…..continuo pobre…..por que eu nunca pensei em roubar? Será que não tive vontades e necessidades? Todos os seres viventes terão frustrações, se em cada frustração ou dificuldade você optasse por conseguir a qualquer custo, não enteressando o meio ou a quem sacrificar, quem é você? Bandido não é só aquele que nasce desprovido de bens materiais, bandido é aquele que sacrifica o próximo a fim de alcançar o seu objetivo, bandido é aquele que não tem misericórdia, não conhece o amor, se ama acima de tudo, quer tudo, é tudo para ele….. Está cheio de gente assim, não só nas favelas, mas nas empresas, no governo, na política, na televisão, na internet, muitas vezes até dentro de sua própria família.
    Bandido não necessariamente é o filho do pobre, o bandido muitas vezes é rico, é amado e tem família, bandido tem mãe….
    Ana, me descullpa discordar de vc….Se vc tivesse colocado a imagem de uma criança sedo usada como aviãozinho nessas mesmas palavras, eu até lhe daria razão. Mas o contexto ao meu ver está errado.
    Precisamos de pessoas que amem a justiça e lutem pela causa do cidadão de bem, que esse, não está valendo um real…..

    • Ana says:

      Ei, Mirian, uma pena que você tenha entendido que eu defendo o ato criminoso, não foi a mensagem que eu quis passar. Optei pela imagem do assaltante por ser o caso que vem inflamando discursos de “bandido bom é bandido morto” internet afora, que é a mentalidade que eu busco criticar com o texto.
      Sobre bandido não ser só filho de pobre, eu to com você nessa. Eu quis apontar que para muitos com o pensamento do Paulo, bandido é o diferente dele, o rico que sonega impostos, que desvia dinheiro, o jovem de classe média que dirige bebado e atropela alguém, etc, não culminam essa mesma reação. Procurei atacar exatamente essa mentalidade, entende? Quantas vezes não vemos casos do jovem de classe média imprudente ao volante que mata alguém, e, no entanto, não vemos tantos discursos querendo dizendo que ele devia ser morto. (bom, pra mim, nem ele nem o assaltante deveriam)
      Abraços!

      • Mirian says:

        Ana, obrigada por sua resposta, eu também não sou a favor de nenhum tipo de assassinato, seja, de homem ou de animais….
        Mas creio que a atitude do olicial foi acertada, já que não atirou para matar. Hoje a população está entregue, totalmente desarmada e disciplinada a não reagir, isso garante o sucesso do criminoso, se a policia tivesse esse êxito todos os dias, os criminosos também temeriam por sua vida…..
        Abraços!!!

  11. Berg says:

    Fico até sem graça em tecer qualquer tipo de comentário, pois, temos muitas cabeças pensantes comentando. Irei apenas colocar a minha posição:
    Sou de família muito pobre, por sorte, nunca precisei morar na favela, mas passei fome e não foi uma vez ou outra, passei frio e tive acesso a tudo o que pode se imaginar de errado, muitos amigos meus morreram, muitos ficaram tão deteriorados que são irreconhecíveis. Pessoas da minha família sucumbiram a tentação do dinheiro fácil; eu…, fiz escolhas diferentes, sem ajuda de família nem de ninguém, corri atrás, morei na rodoviária, corri, corri e corri, muitas vezes corri de coitadinhos como o pobrezinho do Pedro, Nunca me neguei de trabalhar, limpei muito chão, capinei, e foi ajudando de pedreiro, nunca escolhi o que fazer, escolhi não ficar sem ter o que fazer. Hoje sou uma pessoa bem sucedida? sinceramente, não, porém sou honesto, trabalhador e vira e mexe o pobrezinho de um Pedro vem me roubar, tadinho dele.
    Concordo que matar bandido não é a solução, concordo que muito mais valeria, punir os colarinhos brancos, mas ir na defensiva de um bandido???? O pessoal dos direitos só os defendem até que matem um parente seu, já vi esse pessoal pedir pena de morte depois de matarem seu filho. O problema é realmente muito mais embaixo, mas precisamos ter coerência na hora de defender bandido.

    • Ana says:

      Oi, Berg, queria colocar que eu não saio em defesa de atos criminosos, mas defendo sim o direito à vida. Como eu disse, o direito à vida é o mesmo pra todos. E sobre esse seu exemplo, acho que a análise pede distanciamento. Eu, você, qualquer um, quando se vê afetado por um ato violento, sente ódio, é natural. Mas a lei não pode ser passional, algumas análises precisam de cabeça fria.
      Abraços!

  12. waldir says:

    Quando comerem seu cuzinho a força, quero ver o textinho que você vai escrever…se tiver forças para andar!

    • Ana says:

      Eu não devia nem publicar esse tipo de comentário, cara que nojo de você. É assustador que tem gente que coloque estupro no mesmo nível de roubo. É absurdo. E você me vem com esse tom de ameaça, querendo intimidar. Você devia ter vergonha, você e todos os outros que vem me falar que querem ver quando estuprarem a mim, a minha mãe, os que dizem que VÃO fazer isso eles mesmos. Isso é ridículo, é deplorável. Que nojo dessa imposição por afirmação da de superioridade do pinto, o pinto que “vai colocar a menininha que fala demais no seu lugar”. Querem se agigantar e só evidenciam o quanto são pequenos, baixos. Isso é repulsivo.

      • Leodust says:

        Ana, liga não cara, não adianta discutir com idiota, porque ele faz você baixar ao nível dele e, como ele tem experiência em ser idiota, vai acabar te vencendo… esse tipo de pessoa é que contribui pra criminalidade continuar a ser encarada como o mal do pobre mas, infelizmente, ainda não tem capacidade de se comunicar com humanos, apenas emite grunhidos e piados… acho que você não entende essa linguagem, entende? ahahah
        um grande abraço

        • Ana says:

          Hahahaha primeiramente, muito obrigada!
          Pois é, sei que esse tipo de coisa nem vale a discussão, mas tem tantos desse tipo que resolvi pegar pelo menos um de exemplo pra expor o tanto que eu acho um absurdo esse comportamento.
          Mas ó, brigada mesmo! Abração

  13. Isa says:

    Achei interessante a maneira como expôs sua idéia e a respeito, porém não concordo. Hoje a sociedade permite que você faça suas escolhas, mesmo que seja dificil alcança-lás. O ser humano tem a tendência a correr pelo caminho mais fácil. Mas gostaria de saber, pq os amigos de Pedro, aqueles viviam em condições semelhantes, não optaram seguir o mesmo caminho? Você comenta em seu texto, que ele teve 2 exemplos de amizade. É a mesma coisa sobre uma família classe média, pais com 2 filhos, mesmas oportunidades para ambos e 1 segue o caminho das drogas. Pq o outro não foi tb?? Escolhas. A culpa não é somente social. O ser humano é racional, até o ponto de achar que nunca vai acontecer com ele. Provável o menino que levou o tiro e virou estrela de vídeo, pensou isso. Eu estive muito tempo em comunidades, e eu vi famílias não terem nada e formarem filhos honestos, com faculdade e tudo. A verdade é que o Brasil encontra-se em um estado caótico e correr atrás do prejuizo é quase impossível, e ainda terão muitas mães que perderam seus filhos assasinados em um assalto, e não ganharão bolsa auxílio para medicamentos psiquiátricos, utilizados combater a depressão devido a perda, enquanto o mesmo cara que a tirou, preso, receberá bolsa reclusão. Isso não é desigualdade tb??

    • Ana says:

      Ei, Isa, concordo com você que as oportunidades tem crescido, mas ainda temos MUITO pra caminhar, em vários aspectos. Eu citei os amigos que foram para o crime e os que não foram exatamente para mostrar que existe também escolha, pra não acabar caindo no senso comum de que pobreza implica criminalidade, o que obviamente não é verdade. Você captou bem esse ponto. Minha intenção não foi culpabilizar, procurei levantar um questionamento sobre por que o caminho da criminalidade existe, por que ele é viável, por que a desigualdade, por que o contraste social contribui para que essa escolha ocorra. Quis dizer que, independente de que indivíduo segue o crime, a criminalidade continua a ser uma realidade e é importante que a gente procure entender por que.
      Quanto ao auxílio reclusão, não é bem assim. O auxílio vai para a família do preso, não para ele. E esse auxílio depende de uma série de fatores pra acontecer, por exemplo, se o preso em questão era contribuinte etc.
      Abraços!

  14. Na realidade merda é você pseudo intelectual de esquerda que se acha sabedor de todas as verdades do mundo, que vive em um mundo ilusório e cheio de palavras de ordem para resolver os problemas do mundo, vê se cresce, vai para as vilas, favelas, interior, conhecer a verdadeira realidade deste país em vez de ficar tirando onda de salvador da pátria. Tu já passou fome seu merda, tu já viu tua mãe doente e sem atendimento, tu já viu teus parentes partindo para o crime, que pelo jeito, tu achas o destino inevitável deste laboratório chamado vida real, onde fica o boizinho travestido de revolucionário com seu ALL STAR e calça de grife, sustentado pelo pai ausente e disposto a destruir o mundo porque é legal. Em vez de ir para a rua quebrar o que não é teu, vai para a periferia pregar conscientização na hora de votar e ensinar aquele povo a viver uma vida digna. Deixe de ser uma MERDA, pare de falar MERDA e va tentar ser uma MERDA de CIDADÂO.

    • Ana says:

      Cara, você deve termais que o dobro da minha idade e ocupou uma quantidade considerável de linhas me ofendendo, fazendo suposições sobre minha vida pessoal, me atacando… Enfim, não é meu papel ficar dando bronca em marmanjo crescido né, mas uma pena que você tenha limitado seu comentário é descarregar um aparente ódio generalizado quando se trata de uma juventude de esquerda (não te importa qual esquerda, pra você deve ser tudo a mesma merda). Mas tudo bem, que o espaço tenha servido bem de depósito para sua catarse. Não acredito em “pregar” conscientização, que termo mais doutrinário esse seu. Também não gosto dessa ideia de ensinar alguém a votar. Gosto do que estimula debate e reflexão. Aliás, mandar ir pra periferia “pregar conscientização na hora de votar” é pra lá de preconceituoso.
      Abraços

    • Leodust says:

      É isso que a federal do rio grande forma?… realmente, educação é o que falta neste país…

  15. Marcia Claro says:

    Olha Ana, viver na “sociedade do umbigo” é algo muito difícil.. As descisões são tomadas sempre pelo viés das emoções… Enfim, uma pena!
    Se é por conta de vivências, então vai lá, em 2002, minha mãe ‘tomou’ um tiro na cabeça e quase veio a óbito (tiro dado por um adolescente), após uma tentativa de assalto… Bom, percebi naquela vivência o quanto as coisas estão invertidas… Mas ficou estampado na minha cara que matar aquele moleque, não alteraria a minha vida, já que ela já estava alterada. Me senti indignada e refém de uma sociedade hipócrita e cega, que nunca consegue olhar algo profundamente…
    Já em 2012 eu tive uma filha “especial” e quando ainda estava gestante, tive que lutar para que ela chegasse ao mundo de uma forma digna. Para o convênio médico éramos números e bem caros, assim, tudo foi uma luta! Desde os exames, até conseguir a autorização do parto…
    Ouvi várias vezes que aquela gestação não tinha dado certo e a pergunta do ‘por quê’ eu não teria praticado o aborto (para logo “acabar com o problema”, já que ela me daria ‘muito trabalho’)…
    Lógico, não fiz isso, mas percebi que para a sociedade, a vida dela não tinha valor; ela ela só seria um grande problema…
    Bom, ‘experimentando’ essas vivências, vejo o quanto os valores humanos estão invertidos e pautados somente num profundo egoísmo e alienação…
    No primeiro caso, o da minha mãe, sofremos a violência urbana, fruto de uma sociedade que foi ‘calada’ e ‘cega’ por muito tempo, e que hoje vive o resultado disso; por ainda não saber lidar com a liberdade que fora conquistada. Passos largos e errados por pura ignorância.
    No segundo caso, a vida não tem valor, já que é diferente e não responde aos padrões estabelecidos, de beleza e sucesso…
    Enfim, é triste olhar para isso e ver que em ambos os casos, o que não foi valorizado foi a vida… Cada qual com seu problema, mas ainda assim, a vida.
    É a sociedade que valoriza o ‘ter’ e não mais o ‘ser’…
    O respeito humano é algo raro e a cada minuto, ainda em sala de aula (sou professora), vivo a luta de trabalhar o conhecimento daqueles que não acreditam em si, por conta de uma estrutura social já posta. Sequer percebem o seu futuro, como caminham, como caminharão e aonde chegarão (se chegarão)…
    Bom, para finalizar, apesar de casos diferentes, o que é possível perceber é que a ‘sociedade do umbigo’ impera e a alienação, a qual toma conta das pessoas, as envolve num egoísmo normal.
    Não é matando que se obtém resultados positivos na melhora da sociedade… Mas sim, valorizando a vida e principalmente o conhecimento, para que existam seres humanos libertos de suas misérias (sejam elas físicas, mentais ou espirituais). Precisamos perceber que somos simplesmente seres humanos e que não é tratando ‘pontas de iceberg’, que obtemos soluções, mas sim a criação de novos problemas… Não podemos ser ‘rasos’, não podemos colocar tudo ’embaixo do tapete’…
    Sem uma educação efetiva e em todas as esferas (familar, escolar e social), sem máscaras e levada a sério, continuaremos nesse caminho sem rumo… Infelizmente…

    • Ana says:

      Ei, Márcia, em primeiro lugar, obrigada por dividir isso aqui no blog (:
      Pois é, o fato de o lado passional falar mais alto em muitos casos é complicado mesmo. De maneira nenhuma eu quis desrespeitar a dor de quem passa por um trauma como o seu, acho que você percebeu isso. Afinal, esses sentimentos de ódio da fez aquilo com sua mãe, por exemplo, são naturais, e tem que ser respeitados. O problema é quando a carga emocional interfere em análises que pedem distanciamento, análises que não partem de quem acaba de passar por um trauma. Como você falou, matar quem fez aquilo não alteraria a sua vida, nem alteraria a questão da violência do país. E fico muito feliz que não tenha dado ouvidos a quem disse que manter a gestação não valeria a pena por que “daria muito trabalho”. A decisão ali era só sua, que bom que seguiu firme nela (:
      E é como você disse, os valores são invertidos, as pessoas olham muito pro delas e parecem resistir em ampliar sua interpretação a respeito do que acontece ao redor delas. Como você disse, a educação é fundamental pra que possamos evoluir enquanto sociedade, educação. Todo componente na sociedade tem seu papel pra que essa sociedade do umbigo se transforme, te desejo toda força e felicidade no belo papel de educadora que você exerce, e pelo pouco que conheci de você aqui, imagino que o faça muito bem!
      Abraços!

  16. Faiad says:

    Olha não e leve a mal, não acredito na pena de morte, mesmo porque, falha como é a justiça, iríamos mandar um monte de inocente pra “forca”. Agora, o povo reclamar de um policial alvejar um bandido no ato violento, com arma em punho e oferencendo risco real de morte a outro cidadão, acho muita hipocrisia. Entendo que as condições sociais são muito difíceis, mas isso não é desculpa, moro numa parte humilde da zona norte de SP e a maioria das pessoas que conheço apesar de toda a dificuldade, são pessoas de bem e trabalhadoras. A partir do momento que o cidadão se envereda para o crime (não estou falando de roubar comida para por na mesa, mas de crime violento, com arma letal) ele faz uma escolha, a escolha de ameaçar a vida de seu semelhante e arriscar a sua própria.
    O que falam mal dos Direitos Humanos é que, com toda a certeza alguem vai lá na casa do bandido oferecer apoio à família, mas quendo é o contrário, Se, por exemplo neste caso mais recente, o dono da moto ou o policial fossem mortos os pessoal dos Direitos Humanos nem ao menos se pronunciariam… Como se todo o criminoso fosse um coitado que só virou criminoso porque era pobre e sem oportunidades o que é uma falácia absurda.

    • Ana says:

      É uma falácia mesmo, espero que tenha percebido que apontei condições sociais como um fator que favorece a ocorrência de violência, o ingresso de na criminalidade, etc
      Abraços!

      • Faiad says:

        Entendi sim, só queria que acabassem com essa mania que algumas pessoas tem de ficar pegando esses caras no colo e falando “coitado isso é culpa do sistema”. Sim o sistema é um dos grandes culpados, principalmente o nosso sistema reaça-capitalista-pseudo-liberal, no entanto acredito que a justiça deve favorecer aquele que não iniciou o ato violento, ou no mínimo, se tem ajuda para a família do cara que está preso, que haja ajuda também para a família do cara que foi assassinado…

        ps. Aliás, falando em falácias; o ‘ad hominem’ tá correndo solto aqui nos comentários né?

        • Ana says:

          Concordo com você, culpar o sistema e parar por aí é bem raso. E sim, auxílio para a família do assassinado, claro. Não sei dizer, mas imagino haja indenizações
          e sim hahaha, ad hominem fazendo a festa por aqui

  17. Sabrina says:

    O tal pai do pobre coitado deveria ter noção das suas condições difíceis e não ter tido um filho… Evitaria muitos problemas não acha???
    Deveríamos lutar para diminuir a população sim… pq senão casos como esses só vão aumentar e ficar fingindo que são coitadinhos só piora a situação.

  18. Marcello says:

    Um dia você sairá da aba dos seus pais, irá trabalharm se formar, conhecer melhor o mundo, daí quem sabe sua opinião valerá alguma coisa. Mas enquanto isso, o governo continua dando poder de voto para crianças de 16 anos, ou adolescentes de 19 anos. Hitler também tinha seus motivos, assim como Mussolini ou Idi Amin, mas a linha entre o certo e o errado é muito bem definida. Aproveita e escreve um texto para todas as vitímas de latrocínio, caso que felizmente não aconteceu durante essa ação.

    • Ana says:

      Mais um apelando pra minha vida pessoal e minha idade, não vou nem discutir com isso.
      Achei suas comparações com Hitler, Mussolini e Idi Amin bem descabidas, cara. Ta tendo uma inversão aí, pra começar na posição ocupada por quem você citou nas relações de poder. Isso sem falar que fascismo, autoritarismo, genocídio…………… Não da pra trabalhar com essa comparação mesmo.

  19. Felipe Kronéis says:

    cadê o meu comentário?

    • Ana says:

      Algum comentário seu não foi publicado, é isso? Se sim, manda de novo por favor, não to vendo nenhum seu mais antigo em pendência aqui. Obrigada

  20. Tiago says:

    Aguarde até um bandido entrar na sua casa, enfiar uma arma na sua cara e junto com mais dois amigos dele estuprar sua mulher e sua filha olhando pra sua cara e rindo, enquanto você escritor, POETA, olha para aquele problema social, enquanto elas choram. AI VOCÊ VAI DIZER, COITADO ELE É A VÍTIMA.

  21. Paulo R. says:

    Cidadão bom é cidadão que sabe quanto vale. Esse poderia ser o título do seu próximo post.
    Qto vale a vida de uma criança, vítima de um tiro na cabeça enquanto seus pais bolivianos eram assaltados, simplesmente pq não conseguia conter o choro pois estava em uma situação de extrema pressão psicológica?
    Quanto vale a vida de uma jovem, vítima de um tiro na cabeça, só pq o ex namorado não suportou a dor de ter seu relacionamento rompido?
    E a vida dos pais de família que diariamente são mortos por “pobre coitados vítimas da sociedade”, simplesmente pq não portavam a quantidade de dinheiro esperada?
    Não se reduz desigualdade social defendendo bandido, nem vomitando idéias requentadas de pseudoprofessores arrogantes, já que acham que só quem pensa como eles tem inteligência.
    Tá aí Anoca, um bom material para vc escrever.

    • Ana says:

      Paulo, vou repetir aqui o que já procurei explicar em outros comentários. Não falo disso como valoraçao quantitativa ou avaliação de caráter. Quero dizer o seguinte: o direito que protege a vida do assaltante é o mesmo que protege a minha e a sua. O direito é um só. É esse o ponto, é só isso.
      Não vou nem entrar em méritos da raiva que a gente sente do que aconteceu com o garotinho boliviano, por exemplo, nisso existe uma carga passional, e como eu falei no texto, trata-se de uma análise que pede distanciamento. Uma pena que muita gente entenda que eu defendo atos criminosos por defender o direito a vida e por criticar uma mentalidade que eu percebo como conservadora e perigosa.
      Abraços

      • Andy says:

        Parabéns Ana! Porém não ache que será fácil fazer as pessoas entenderem isso!!!

      • Kraisyler says:

        Por isso mesmo, o direito que protegeu a vida do cidadão sendo assaltado no roubo da moto foi sim justo, já que o direito entre os dois são iguais, no caso o cidadão temia por sua vida e se sentia ameaçado, o direito interferiu o assaltante de poder atirar ou revidar já que esse estava tentando sacar sua arma quando foi abordado. Ou seja foi justo.

  22. anjelvila says:

    Acho que certos fatores não estão sendo levados em consideração:

    1o – Cada cérebro tem uma pré-programação, uma estrutura já existente. Algumas pessoas simplesmente nunca (eu disse nunca) terão algo fundamental quando se vive em sociedade: empatia (capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa). Pessoas assim, matam alguém ou fazem atrocidades com alguém com a mesma facilidade que fariam com uma barata. Pessoas assim, não podem viver em sociedade. Pessoas assim não mudarão. Não são assim por causa da vida sofrida que tiveram ou pelas poucas chances que tiveram. Isso só piora o que já era ruim e não é a causa de serem ruins.

    2o – Não acho que a morte seja o caminho, mas acho que assassinos tem que ficar muito tempo na cadeia (muito mesmo) e não podem ser misturados com pessoas que tem chances de ressocialização. Além disso, presos não podem ser custosos para nós que agamos impostos e somos honestos. Eles tem que trabalhar para custear as “despesas de hospedagem” deles. Bandido que fica sem fazer nada o dia todo tem tempo em pensar besteira.

    Já passou da hora do sistema prisional ser reformulado. É isso que temos que batalhar para que seja feito e só assim essa realidade mudará.

    • Ana says:

      1- mas você não acha meio precipitado assumir que todos os casos envolvem algum nível de psicopatia ou algo do tipo?

      Concordo quanto à necessidade de reformulação do sistema prisional, não sei se concordamos quanto a como ela deve ser feita
      Abraços

    • Guilherme says:

      Anjelvila, não é provada a importância da influência genética (cérebro préprogramado, como você disse) no comportamento humano. Alguns estudos apontam que ela existe (e eu concordo), mas reconhecem que a carga de influência das experiências no comportamento é MUITO mais decisiva e comprovável (o texto “Genética do comportamento e conduta anti-social: perspectivas desenvolvimentistas”, de Lisbeth F. DiLalla e David L. DiLalla, faz um bom compilado dos estudos). Portanto, esse discurso de que “existem pessoas que nascem assim e não mudam” não se sustenta cientificamente. É uma mera suposição, com altíssima carga ideológica (ideologias fascista e nazista se basearam muito nessa suposição geneticista, também). Excluindo a responsabilidade do meio no comportamento humano e transferindo-o para a genética, tiramos a culpa que a sociedade tem (sim) na gênese do crime. É uma postura confortável. Dá a entender que tudo está certo e não precisa mudar. Serve bem às ideologias conservadoras de direita, extrema-direita e direita radical.
      Em outras palavras, concordo que existam fatores genéticos que possam influir em questões como a empatia, por exemplo, que é extremamente importante à vida em sociedade. Porém, não é a genética que terá a maior influência sobre a capacidade de empatia, nem sobre o próprio comportamento em si. É a experiência (leia-se, o meio) que exercerá maior influência.
      Outra coisa: a reeducação para a vida em sociedade já está contida, desde 1984, na Lei de Execuções Penais. Só não é levada a sério porque a Administração Penitenciária, que faz parte do Poder Executivo, não quer. E não quer por que? Porque a classe dos políticos reflete a sociedade em que a gente vive, e a sociedade quer mais é esquecer quem está na cadeia. Se preocupa apenas com a vingança imediatista, não querendo lidar com o passivo carcerário, que, como eu disse, é fruto da experiência social (e, portanto, culpa de todos).

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