Breve impressão sobre a quebra da santa (sujeita a mudanças)

Meu deus, quebraram a santa!
Quebraram a santa e enquanto isso a Igreja Católica distribuía mini-fetos em campanha contra a legalização do aborto. E aí vocês vêm me falar de respeito. Quebrar a santa foi desrespeitoso com a crença pessoal de muita gente? Sim. Isso invalida a expressividade da ação? Jamais. Não foram poucos os que disseram que com essa falta de respeito os manifestantes estariam se igualando à Igreja, agindo como seu opressor, sendo tão intolerante quanto. Oi? Quando falamos de Catolicismo, não estamos falando de desrespeito. Estamos falando de perseguição, genocídio, privação de direitos, pedofilia, condenação do uso de anticoncepcionais, enfim, a lista é longa. Estamos falando também de uma instituição com influência direta na constituição da sociedade tal como ela é – patriarcal, homofóbica, racista. Sim, a destruição das imagens desrespeita a crença pessoal (vale lembrar que, o que de um lado representa a fé, do outro simboliza opressão), mas foi só. “Ah, mas enfiaram a cruz no cu!!!!”, bom, tem uma cruz se metendo no meu útero desde que eu nasci e outra cruz enorme que diz que meu corpo não me pertence, que mulher deve ser submissa e que ser gay é pecado. O que é uma cruz no cu de quem já tem o corpo inteiro preso a um rosário? Não sei dizer se essa ação foi uma boa estratégia, não tenho embasamento nem experiência pra isso. Mas foi uma ofensa. Uma ofensa. Parem de cometer a atrocidade de comparar o que aconteceu à Intolerância da Igreja Católica. A Igreja não ofende, ela descrimina, priva e mata.
De início minha posição sobre o ocorrido era de que teria sido um ato pouco esperto, um tiro no pé, um passo pra trás que dificulta o diálogo e amplia o antagonismo. Não soube dizer se tinha sido certo ou se tinha sido errado, mas talvez não seja uma questão de certo e errado. Depois de algumas leituras e discussões percebi que o debate não permeia puramente a dificuldade do diálogo com a Igreja, com o catolicismo. Esse diálogo sequer existe? E afinal, interessa tentar o diálogo com o opressor? Não estaríamos, dessa maneira, negociando os direitos que são – ou deveriam ser – nossos? Dá pra desconstruir um sistema opressivo com as ferramentas de quem instituiu a opressão? O catolicismo não vai abrir mão dos privilégios que possui, e o poder da igreja implica a opressão que ela pratica. É ingênuo esperar que isso mude de dentro pra fora. E enquanto esperamos, a opressão continua. O que me parece é que foco não deve ser o desejo de que a Igreja Católica se transforme, mas a exigência de que seu poder acabe. E esse poder não vai ser entregue em uma bandeja de prata com flores nas bordas, o poder precisa ser arrancado. A luta feminista inclui estado laico, inclui questionar e derrubar os privilégios do cristianismo, e nesse ponto a ação do coletivo coiote deve ser levada em consideração. Gente, alguém realmente acredita que eles não sabiam que estavam sendo desrespeitosos? Que opa, foi só uma brincadeirinha, desculpa pela ofensa? É muito raso que o debate seja restrito ao foi ou não foi desrespeitoso, principalmente o debate dentro do feminismo que é um movimento tão heterogêneo. A ação teve um significado, uma mensagem: “ei, Igreja Católica, você não é minha amiga. Eu não quero dialogar com você, eu não quero seu respeito, só quero suas crenças longe do meu corpo, dos meus direitos”. Se acrescentou ou não à luta, se foi ou não eficaz, não me cabe dizer. Mas esse desespero em simplesmente repudiar, principalmente por parte das feministas, também não é um caminho muito produtivo. É nas divergências que o feminismo pode evoluir e é na evolução do feminismo que a luta ganha força.
Se me pedissem pra apontar um erro, eu diria que o contexto talvez não fosse o ideal. A Marcha das Vadias é um movimento bastante amplo, que engloba inclusive as meninas do CPDD. A quebra da santa não representa a Marcha (como a organização já avisou), mas representa uma voz dentro dos movimentos sociais que também precisa ser ouvida, não silenciada pelas próprias feministas. Dizer que “não representam feminismo” é tão ignorante quanto dizer que representam todo o feminismo. O ocorrido deve ser colocado em discussão, não em julgamento. Não podemos esquecer do que o Catolicismo representa, o fato de haver católicos que se identifiquem com o feminismo de alguma maneira não muda o que a tudo Igreja fez e faz. E mil santas quebradas não se comparam a isso.

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About Ana

Ana, 21 anos, responde por anoca. Desertora da faculdade de Letras, foi parar no curso de Comunicação Social. Temendo ficar mal falada por postar textos longos e reclamar demais do facebook, decidiu fazer um blog.
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3 Responses to Breve impressão sobre a quebra da santa (sujeita a mudanças)

  1. Duks says:

    Esses esquerdistas são muito retardados… essa menina deve ter falta de namorado ou é muito anti social … não tem base ela conseguiu falar tudo ao contrário e tirar a culpa da quebra da santa… querida ninguém esta dizendo que você não pode comentar aqui SEU ATEÍSMO ESQUERDOPÁTICO mas seja sincera… respeito aonde vc viu aí? isso aí denigre a imagem da Igreja, e outra coisa você ta falando muita coisa que você não sabe… vai ler um pouquinho sobre Inquisição, Cruzadas e etc… talvez você pare de ser extremista igual esses babacas aí.

  2. dani says:

    SHOW. LINDO. MARAVILHOSO!!!

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